Pilhas, baterias e eletroeletrônicos: qual o destino certo para esses resíduos perigosos?

Segundo o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o lixo descartado pelos brasileiros é composto de 51,4% de lixo orgânico (restos de alimentos), do qual ainda vou falar, 31,9% de plásticos, metais, vidros e papéis, dos quais já falei aqui e 16,7% de “outros”. O que são esses “outros”? Que danos eles podem causar ao meio ambiente? Há destino adequado para eles?

No grupo “outros”, existe uma série de categorias de resíduos: pilhas, baterias, aparelhos eletroeletrônicos, lâmpadas, cartuchos, toners, óleos vegetais, materiais de construção civil (quando reformamos ou construímos nossas casas), roupas, remédios, enfim, um grupo bem diversificado de materiais que devem passar por tratamentos diferentes. Como são muitas categorias de resíduos, neste post, vou falar sobre pilhas, baterias, lâmpadas, eletroeletrônicos, cartuchos e toners.

Foto: lixo eletrônico descartado na calçada de uma rua (Loris Schuchmann )
Foto: lixo eletrônico descartado na calçada de uma rua (Loris Schuchmann)

Pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes

No livro Reciclagem e Desenvolvimento Sustentável no Brasil, de Ricardo Motta Pinto-Coelho, são fornecidas várias informações sobre pilhas e baterias.

O consumo mundial de pilhas é de cerca de 10 bilhões de unidades por ano. Em 2004, a venda de pilhas no Brasil atingiu cerca de 1,2 bilhões de unidades. Em 2009, no Brasil, foram produzidas cerca de 10 milhões de baterias de celulares, 12 milhões de baterias automotivas e 200 mil baterias industriais.

As pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes tem em sua composição vários metais pesados, altamente tóxicos, como mercúrio, chumbo, níquel, zinco, cobre e/ou cádmio que, se descartados de forma incorreta, oferecem risco para a saúde humana e de contaminação do meio ambiente e, por isso, são considerados resíduos perigosos. Sem a destinação correta, os metais presentes nesses objetos podem contaminar solo, água e ar e causar problemas à saúde como efeitos mutagênicos, distúrbios metabólicos e problemas renais.

Pilhas ainda são uma das fontes mais caras de energia que existem. No Brasil, cerca de ⅓ das pilhas comercializadas são ilegais e contém, quase sempre, índices ainda mais altos de diversas substâncias tóxicas.

Onde descartar?
Pilhas e Baterias:

Eu sempre descartei minhas pilhas e baterias na UFMG, porque estudava lá e não moro muito longe. Existem vários pontos com papa-pilhas (foto abaixo) ao longo do campus, então, para mim, sempre foi muito prático descartá-las.

Aqui em Belo Horizonte, a rede de supermercados Verdemar realiza coleta de pilhas e baterias. A Samsung  realiza coleta de baterias de celular da marca em suas lojas ou assistências técnicas autorizadas. Você pode consultar as lojas e assistências com urnas de coleta aqui. A Motorola também realiza coleta de bateria de seus aparelhos em lojas físicas e centros de Serviços Autorizados Motorola listados aqui e aqui.

O projeto ABINEE Recebe Pilhas, iniciativa conjunta de fabricantes e importadores de pilhas e baterias portáteis, disponibiliza postos de recebimento de pilhas e baterias de consumidores domésticos em várias cidades do país. Basta você inserir seu estado e cidade aqui, que são disponibilizados os pontos de recebimento mais próximos de você.

Foto: papa-pilhas na UFMG
Foto: papa-pilhas na UFMG (Isabella Menezes)
Lâmpadas:

Eu descarto minhas lâmpadas na loja da rede Telhanorte  mais próxima da minha casa, mas essa rede de lojas está presente apenas em Belo Horizonte. A Leroy Merlin é uma rede presente em várias cidades do país e também recebe descarte de lâmpadas. No site, também informam que recebem pilhas, baterias e celulares. Você pode verificar se outras lojas de materiais de construção da sua cidade realizam a coleta de lâmpadas.

Eletroeletrônicos

O livro também trata dos resíduos eletroeletrônicos. Em 2000, havia menos de 20 milhões de celulares ativos no país. Em 2007, esse número chegou a casa dos 121 milhões de aparelhos. De acordo com a Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), só em 2017,foram vendidos cerca de 500 milhões de smartphones e 3,4 milhões de notebooks no Brasil. Segundo o relatório Global E-Waste Monitor 2017elaborado pela Universidade das Nações Unidas, União Internacional de Telecomunicações e pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos, apenas em 2016, foram produzidas 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo, o que corresponde a 4.500 Torres Eiffel.

Esse crescimento exponencial se deveu à universalização dos aparelhos celulares no Brasil e no mundo, mas vem sendo agravado por dois fatores, segundo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC):

  • Obsolescência programada: ocorre quando o fabricante programa a baixa durabilidade de um produto para que ele deixe de ser útil e leve o consumidor a adquirir um novo após pouco tempo. Ocorre em vários eletroeletrônicos, mas é bem mais comum na área tecnológica.
  • Obsolescência psicológica: ocorre quando os consumidores são estimulados, pela rápida substituição dos modelos do mercado, a trocarem de produtos mesmo que ainda não apresentem defeitos.

Existe uma grande diversidade de equipamentos eletroeletrônicos que compõe o que chamamos de Lixo Eletrônico, dentre eles celulares, monitores, impressoras, televisores, fogões e geladeiras. Eles são uma fonte importante para a reciclagem de matérias primas e, se descartados de forma incorreta, podem liberar uma série de substâncias tóxicas no ambiente.

Onde descartar?

O número de empresas especializadas que realizam coleta de lixo eletroeletrônico tem crescido, especialmente em cidades maiores e capitais. Realizando uma pesquisa na internet, encontrei algumas:

  • Belo Horizonte: eu descarto com a BH Recicla. Eles fazem coleta gratuita do lixo eletrônico e também de sucata metálica, como portas, janelas e móveis de metal. Descobri recentemente que também coletam radiografias!
  • São Paulo: pesquisando, encontrei a GTech e a Cintitec, voltadas para o atendimento de empresas e a Sucata Digital, que disponibiliza descarte no depósito da empresa para a população e coleta gratuita mediante a um número maior de solicitações.
  • Brasília: encontrei a Zero Impacto, que coleta mediante agendamento pago, mas disponibiliza vários pontos de entrega sem custo pela cidade.
  • Rio de Janeiro: encontrei a Zyklus, que coleta mediante pagamento e disponibiliza entrega na fábrica gratuitamente.

De todas essas empresas, conheço apenas os serviços da BH Recicla, então sugiro que, caso vá utilizar o serviço de uma das outras empresas, pesquise melhor nos sites sobre os serviços prestados e os resíduos coletados ou até mesmo entre em contato com eles por telefone. Várias outras cidades devem ter empresas que oferecem esse tipo de serviço, você pode conferir se há alguma na sua cidade.

Cartuchos e Toners

De acordo com esse artigo aqui, o toner é um pó, produto de uma mistura de carbono com substâncias como resina plástica, poliéster; óxido ferroso, óxido de chumbo, óxido de zinco, sílica e sulfato ferroso, dos quais alguns podem acarretar problemas respiratórios e danos ao meio ambiente. Por isso, é necessária a destinação correta desses objetos.

Onde Descartar?

A hp possui um programa de coleta gratuita de cartuchos, garrafas de tinta e toners da marca. Basta preencher o formulário do site e solicitar a coleta.

O Carrefour, em parceria com a hp, também recebe cartuchos e garrafas de tinta da marca, mas não toners. Para encontrar um ponto de entrega mais próximo de sua casa, você pode digitar o seu CEP aqui.

Se nenhuma das opções acima te atendem, existe um última alternativa. O eCycle é um site que oferece conteúdos e serviços com o intuito de nos orientar sobre um consumo mais consciente e oferece  uma ferramenta ótima quando se trata do descarte de resíduos. Basta acessar o site deles e, já na página inicial, escolher o tipo de produto que você quer descartar, digitar seu seu CEP e seu e-mail. Se houver pontos de coleta em sua cidade ou região, eles te informarão quantos e identificarão em um mapa!

Imagem: ferramenta de busca no site da eCycle

O descarte para alguns desses produtos pode não ser muito prático, mas é essencial. Além disso, não realizamos descarte desses tipos de lixo diariamente, sendo um trabalho para poucas vezes ao ano.

Share
Facebook
Facebook
TWITTER
Instagram

One thought on “Pilhas, baterias e eletroeletrônicos: qual o destino certo para esses resíduos perigosos?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *