O que são as Unidades de Conservação e por que precisamos delas?

Em todos os meus posts, venho falando sobre o que podemos fazer em nosso dia a dia, em grandes ou pequenas cidades, para ajudar a preservar o meio ambiente. As cidades também fazem parte dele e o que fazemos nelas impactam outras áreas também (falei um pouco sobre esses impactos aqui  e aqui). Entretanto, nem sempre paramos para pensar que precisamos preservar o meio ambiente porque dependemos dele e não ele de nós e o que acontece em outras áreas do planeta (como nas Unidades de Conservação) também afeta nossas vidas nas cidades.

Nem sempre paramos para pensar que precisamos preservar o meio ambiente porque dependemos dele e não ele de nós e o que acontece em outras áreas do planeta (como nas Unidades de Conservação) também afetam nossas vidas nas cidades.  
Foto: Área de Proteção Ambiental do Tapajós (IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia)

Diante das recentes ameaças que as Unidades de Conservação vêm recebendo, incluindo ataques contra agentes de fiscalização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ateamento de fogo contra carros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e a crescente desvalorização de sua importância para a preservação de nossa e de todas as outras vidas ao nosso redor, resolvi escrever esse por para esclarecer como nossas vidas nas cidades são afetadas positivamente por essas Unidades.

O que são?

As Unidades de Conservação (UC) são áreas do território brasileiro com  recursos ambientais e características naturais relevantes, que são delimitadas com a função de garantir a preservação de amostras significativas e ecologicamente importantes dos diferentes ecossistemas do território nacional. Elas também garantem às populações tradicionais (como populações indígenas e quilombolas) o uso sustentável dos recursos naturais  e oferecem às comunidades do entorno o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis. Essas áreas são criadas e fiscalizadas pelos governos federal, estaduais e municipais após a realização de estudos detalhados e, quando necessário, consultas à população.

Essas Unidades podem ser divididas em dois grandes grupos, que por sua vez podem ser divididos em várias categorias:

Unidades de Proteção Integral

Nesas áreas, a proteção da natureza é o principal objetivo, de modo que elas não podem ser habitadas pelo homem e, nelas, é admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, como atividades de pesquisa científica e turismo ecológico. Exemplos dessas áreas são as Estações Ecológicas, Reservas Biológicas, Parques, Monumentos Naturais e Refúgios de Vida Silvestre.

Unidades de Uso Sustentável

Nessas áreas, ocorre a conciliação da preservação com o uso dos recursos naturais. Nelas, coleta e uso dos recursos naturais são permitidos, desde que feitos de forma sustentável. Exemplos dessas áreas são o: Áreas de Relevante Interesse Ecológico, Florestas Nacionais, Reservas de Fauna, Reservas de Desenvolvimento Sustentável, Reservas Extrativistas, Áreas de Proteção Ambiental (APA) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN).

No total,mais de 2 mil Unidades protegem cerca de 18% do território continental e 26% do território marinho brasileiro.

Por que precisamos delas?

A preservação dessas Unidades, além da manutenção dos ecossistemas e biodiversidade nacionais, traz vários  outros benefícios que afetam diretamente nossas vidas nas cidades. Várias dessas áreas abrigam nascentes e reservatórios de água que abastecem cidades. Além disso, como já falado acima, oferecem às comunidades do entorno o desenvolvimento de atividades econômicas.

A preservação de espécies de insetos é essencial para a para a polinização de vários cultivos e produção de alimentos. No Brasil, 80% da energia produzida por hidrelétricas contam, de alguma forma, com a água preservada pelas Unidades de Conservação e o impacto do turismo ecológico nessas áreas chega a 4 bilhões de reais por ano para o país! Além de tudo isso, cerca de 50 mil pesquisadores atuam e trabalham nessas áreas, contribuindo para o desenvolvimento científico nacional.

Rios Voadores

Não são apenas rios continentais que beneficiam e abastecem as cidades. Na Amazônia, nascem os Rios Voadores, que são responsáveis por abastecer as demais regiões do país e por isso, preservá-la é tão importante.

Eles se formam a partir da tranpiração das árvores da floresta e sem eles, praticamente todo o país teria um clima semiárido, com chuvas escassas, raramente mais intensas. Cada planta transpira cerca de 500 litros de água por dia. Assim, a região amazônica consegue lançar cerca de 20 bilhões de toneladas de água no ar diariamente! Isso equivale a 3 bilhões de toneladas de água a mais do que rio Amazonas, o maior do mundo. O esquema abaixo mostra como esses “rios” abastecem as cidades de todo o país:

Não são apenas rios continentais que beneficiam e abastecem as cidades. Na Amazônia, nascem os Rios Voadores, que são responsáveis por abastecer as demais regiões do país e por isso, preservá-la é tão importante.
Imagem: arvoresertecnologico.tumblr.com/

A qualidade de nossa vida depende da preservação dos recursos naturais muito mais do que imaginamos e as Unidades de Conservação são ferramentas essenciais para isso. A crescente desvalorização de sua importãncia traz riscos para nossa vida e para a biodiversidade brasileira.

 

 

 

 

 

 

 

 

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